A lógica formal evoluiu, hoje em dia é mais difícil ser sofista. Mas inventar falácias ainda tem seu valor, se não for no plenário. Tentar inventar algumas (algumas não são falácias formais):
"Rex" geralmente é cachorro,
"Rex" significa "rei",
É, reis geralmente são cachorros.
Meninos maus não ganham mesada
Deputados do mensalão são meninos maus
Sem provas, os deputados nunca receberam mensalão.
Quem não gosta de samba, bom sujeito não é
O Papa não gosta de samba
Ergo, o Papa não é um bom sujeito
Dinheiro não traz felicidade
No dia de receber, ganhamos dinheiro
Infelizmente, o dia de receber não traz felicidade
Os cabeçudos são mais inteligentes
Os atores pornôs são cabeçudos
Cacete, atores pornôs são mais inteligentes
Os homens são todos iguais
Entre iguais não há diferença alguma
Eba, todos os homens são casados com a Juliana Paes
A Ratio FM volta depois dos comerciais.
segunda-feira, 30 de março de 2009
Despertando do sono dogmático
- Ô Kant, acorda! - diz Hume, sacudindo o ombro do Kant.
- Ai ai, que é que foi, Hume? Nem! Acordar agora, de jeito nenhum! Tava tão gostoso, eu tava sonhando que Deus era um consenso na comunidade científica.
- Então, cara! Acorda! A metafísica já era!
- Faz-me rir. Me erra, Hume... vai dormir mais um pouco... minha peruca nem tá aqui e eu tenho um passeio pra fazer às 15h em ponto.
- Mas não tem como dormir depois que acorda!
- Tem! Esquece dos problemas e relaxa que cê dorme de novo.
- Mas a metafísica é coisa do passado! Quer ver? Pensa aí e vê se tem alguma coisa na sua cabeça que não veio da experiência...
- Não, Hume! Anem...
- Dá uma lida nesse Tratado aqui, que eu acabei de fazer, por favor!
E o Kant, morrendo de raiva, senta na cama, esfrega os olhos, pega a lente e esbraveja:
-Dê-me essa meleca aqui!
Hume, todo alegre, entrega o calhamaço e fica esperando. Kant vai passando o olho, fazendo uma leitura dinâmica: - Vai buscar um café pra mim, chato!
Enquanto Kant lê, vai perdendo o sono. Na centésima página, já está totalmente desperto. Não se sabe direito se pelo teor do tratado ou pelo café. Mas o Hume nunca foi esquecido pela falta de educação.
- Ai ai, que é que foi, Hume? Nem! Acordar agora, de jeito nenhum! Tava tão gostoso, eu tava sonhando que Deus era um consenso na comunidade científica.
- Então, cara! Acorda! A metafísica já era!
- Faz-me rir. Me erra, Hume... vai dormir mais um pouco... minha peruca nem tá aqui e eu tenho um passeio pra fazer às 15h em ponto.
- Mas não tem como dormir depois que acorda!
- Tem! Esquece dos problemas e relaxa que cê dorme de novo.
- Mas a metafísica é coisa do passado! Quer ver? Pensa aí e vê se tem alguma coisa na sua cabeça que não veio da experiência...
- Não, Hume! Anem...
- Dá uma lida nesse Tratado aqui, que eu acabei de fazer, por favor!
E o Kant, morrendo de raiva, senta na cama, esfrega os olhos, pega a lente e esbraveja:
-Dê-me essa meleca aqui!
Hume, todo alegre, entrega o calhamaço e fica esperando. Kant vai passando o olho, fazendo uma leitura dinâmica: - Vai buscar um café pra mim, chato!
Enquanto Kant lê, vai perdendo o sono. Na centésima página, já está totalmente desperto. Não se sabe direito se pelo teor do tratado ou pelo café. Mas o Hume nunca foi esquecido pela falta de educação.
Sócrates
Sócrates está na praça Tubal Vilela, perambulando com sua túnica imunda, sendo seguido por alguns outros jovens mendigos que já se encantaram por ele. Seus olhos apontam para o chão, como quem reflete profundamente enquanto acaricia sua enorme barba. De repente, ele se senta num banco um pouco sujo. Seus seguidores se sentam ao chão. Todos observam uma senhora que vem cheia de sacolas, aparentando cansaço. Ela se senta ao lado de Sócrates e o pergunta:
- Está calor, não?
- Ó senhora, estou que não me agüento.
A velha achou estranho o modo de falar de Sócrates, mas não o suficiente para levantar-se.
- Você é daqui de Uberlândia?
- Venho de Atenas, já viajo há dias. Tenho sede e fome.
- Ah... Eu não tenho nada pra te ajudar, meu senhor.
- Não há problema. Há de haver alguma outra alma piedosa por aqui, não é mesmo?
- É. Deve ter, né?
Algo coçava dentro da velha para perguntar onde era Atenas. Mas ela era daquelas que não podiam ver alguém que já queria contar a própria vida. Escolheu o mais urgente:
-O senhor sabe que meu filho está me dando muito trabalho? Ele agora cismou que quer estudar um negócio que chama fisolofia... não... fifologia... nem sei o nome, para o senhor ver o tamanho da bobagem. Pra piorar, eu acho que ele está se enrolando com um rapaz. Deus quem me perdoe, mas é verdade. Meu senhor, eu acho que meu filho é um desses mossexual, pra não dizer um nome mais feio.
Sócrates escutava atentamente a velha. Arriscou ajudá-la:
- Teu rebento deve querer estudar Filosofia.
- Isso, essa bobagem aí. O menino fica lá falando umas doideiras o tempo todo, fazendo umas perguntas que ninguém sabe responder. E acha que aquilo é que é bom. Ele chegou no ponto de me dizer que não tem certeza de que eu existo. Pode? Eu falo pra ele apegar com Deus, mas ele não me ouve.
Sócrates deu um sorriso largo e olhou seus discípulos, todos tão alegres quanto ele. Então disse à velha:
- Preciso conhecer teu filho, ó bem-aventurada. É ele bonito?
- É, claro. Eu acho. Mas, porque o senhor está perguntando isso?
- Ora, talvez ele possa um dia visitar um dos nossos banquetes, embora eu não saiba quando poderemos participar de um.
- O senhor gosta desse negócio de sifolofia?
- Filosofo a mando do deus Apolo, ó senhora.
- Ah, não. Para mim a pessoa tem é que acreditar em Deus e ser justa.
- Sabes bem o que é a justiça?
- Isso eu sei! Sou justa, sigo a lei de Deus.
- Ora, então, o que esperas para contar-me sobre sua sabedoria? Vamos, bem-aventurada, conta-me logo o que é a justiça.
- E eu já não contei?
- Contaste?
- Claro, é seguir a lei de Deus, todo-poderoso.
- Pensas que ser justa é seguir os mandamentos da Igreja?
- Penso não. É assim.
- Ora, senhora, mas diz-me uma coisa: pensas que a justiça é uma virtude?
- Ó, eu tenho que ir embora fazer almoço, eu não sei o que é virtude, o seu papo está muito esquisito, eu acho que o senhor também é mossexual, porque o senhor está querendo conhecer meu filho perguntando se ele é bonito, além de o senhor ser silófoso. Eu não quero misturar com gente que nem o senhor. O senhor vai me desculpar, mas eu estou indo embora.
- Volta aqui! Não queres conversar mais? Eu preciso de ti, ó carcomida!
- O senhor que vá procurar conversa noutro lugar.
E parecido aconteceu com todos os outros interlocutores de Sócrates. Ele não entendeu como as pessoas poderiam estar tão desinteressadas dos assuntos importantes. Tentou voltar para Atenas, mas não conseguiu. Os jovens que o seguiam acabaram se cansando dele, migrando para as raves. Sócrates morreu na sarjeta e foi enterrado como indigente, depois de implorar de joelhos por um copo de cicuta. Seu demo, que vivia aconselhando-o, foi importunar um outro. Este, contudo, acabou sendo internado num hospício. O demo então passou para um terceiro, que acabou se tornando kardecista.
- Está calor, não?
- Ó senhora, estou que não me agüento.
A velha achou estranho o modo de falar de Sócrates, mas não o suficiente para levantar-se.
- Você é daqui de Uberlândia?
- Venho de Atenas, já viajo há dias. Tenho sede e fome.
- Ah... Eu não tenho nada pra te ajudar, meu senhor.
- Não há problema. Há de haver alguma outra alma piedosa por aqui, não é mesmo?
- É. Deve ter, né?
Algo coçava dentro da velha para perguntar onde era Atenas. Mas ela era daquelas que não podiam ver alguém que já queria contar a própria vida. Escolheu o mais urgente:
-O senhor sabe que meu filho está me dando muito trabalho? Ele agora cismou que quer estudar um negócio que chama fisolofia... não... fifologia... nem sei o nome, para o senhor ver o tamanho da bobagem. Pra piorar, eu acho que ele está se enrolando com um rapaz. Deus quem me perdoe, mas é verdade. Meu senhor, eu acho que meu filho é um desses mossexual, pra não dizer um nome mais feio.
Sócrates escutava atentamente a velha. Arriscou ajudá-la:
- Teu rebento deve querer estudar Filosofia.
- Isso, essa bobagem aí. O menino fica lá falando umas doideiras o tempo todo, fazendo umas perguntas que ninguém sabe responder. E acha que aquilo é que é bom. Ele chegou no ponto de me dizer que não tem certeza de que eu existo. Pode? Eu falo pra ele apegar com Deus, mas ele não me ouve.
Sócrates deu um sorriso largo e olhou seus discípulos, todos tão alegres quanto ele. Então disse à velha:
- Preciso conhecer teu filho, ó bem-aventurada. É ele bonito?
- É, claro. Eu acho. Mas, porque o senhor está perguntando isso?
- Ora, talvez ele possa um dia visitar um dos nossos banquetes, embora eu não saiba quando poderemos participar de um.
- O senhor gosta desse negócio de sifolofia?
- Filosofo a mando do deus Apolo, ó senhora.
- Ah, não. Para mim a pessoa tem é que acreditar em Deus e ser justa.
- Sabes bem o que é a justiça?
- Isso eu sei! Sou justa, sigo a lei de Deus.
- Ora, então, o que esperas para contar-me sobre sua sabedoria? Vamos, bem-aventurada, conta-me logo o que é a justiça.
- E eu já não contei?
- Contaste?
- Claro, é seguir a lei de Deus, todo-poderoso.
- Pensas que ser justa é seguir os mandamentos da Igreja?
- Penso não. É assim.
- Ora, senhora, mas diz-me uma coisa: pensas que a justiça é uma virtude?
- Ó, eu tenho que ir embora fazer almoço, eu não sei o que é virtude, o seu papo está muito esquisito, eu acho que o senhor também é mossexual, porque o senhor está querendo conhecer meu filho perguntando se ele é bonito, além de o senhor ser silófoso. Eu não quero misturar com gente que nem o senhor. O senhor vai me desculpar, mas eu estou indo embora.
- Volta aqui! Não queres conversar mais? Eu preciso de ti, ó carcomida!
- O senhor que vá procurar conversa noutro lugar.
E parecido aconteceu com todos os outros interlocutores de Sócrates. Ele não entendeu como as pessoas poderiam estar tão desinteressadas dos assuntos importantes. Tentou voltar para Atenas, mas não conseguiu. Os jovens que o seguiam acabaram se cansando dele, migrando para as raves. Sócrates morreu na sarjeta e foi enterrado como indigente, depois de implorar de joelhos por um copo de cicuta. Seu demo, que vivia aconselhando-o, foi importunar um outro. Este, contudo, acabou sendo internado num hospício. O demo então passou para um terceiro, que acabou se tornando kardecista.
Assinar:
Postagens (Atom)